sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A sogra

Diz uma lenda oriental que há muito tempo, na China, uma moça casou-se e foi viver com o marido e a sogra. Em pouco tempo, a moça percebeu que dificilmente se daria bem com sua sogra. Os temperamentos delas eram muito diferentes e a moça a cada dia ficava mais furiosa com os hábitos de sua sogra. 
Mas, o pior de tudo era que, de acordo com antiga tradição chinesa, a nora tinha que se curvar à sogra e obedecê-la em tudo o que ela desejasse. Este comportamento estava causando ao pobre marido um grande estresse.
Finalmente, não agüentando mais, a moça decidiu tomar uma atitude. Foi ver o Sr. Huang, bom amigo de seu pai, que vendia ervas. Ela lhe falou sobre a situação e pediu que lhe desse algum veneno para resolver o problema de uma vez por todas. O Sr. Huang pensou por algum tempo e finalmente disse:
-Eu ajudarei você a resolver seu problema, mas você tem que me escutar e obedecer a todas as instruções que eu lhe der. O homem entrou no quarto dos fundos e voltou após alguns minutos com um pacote de ervas. Ele explicou:
- Você não pode usar tudo de uma só vez para se libertar de sua sogra, porque isso causaria suspeitas. Eu lhe dou várias ervas que vão lentamente envenenar sua sogra. A cada dois dias prepare alguma carne, de porco ou galinha, e ponha um pouco destas ervas no prato dela. Mas, para ter certeza de que ninguém irá suspeitar de você quando ela morrer, deve ter muito cuidado e agir de forma muito amigável com ela. Não discuta com ela, obedeça-a em tudo e trate-a como se fosse uma rainha.
A moça ficou muito contente. Agradeceu ao Sr. Huang e voltou apressada para casa para começar o projeto de assassinar a sua sogra. O tempo foi passando, e, cada dois dias, a nora servia a comida, especialmente preparada, à sua sogra. Ela se lembrava do que o Sr. Huang tinha dito sobre evitar suspeitas. Assim ela controlou o seu temperamento, obedeceu à sogra, e a tratou como se fosse sua própria mãe. Depois de seis meses, a casa inteira tinha mudado. A moça tinha equilibrado tanto o seu temperamento que quase nunca se aborrecia.
Nestes seis meses, não tinha tido uma discussão com a sogra, que parecia agora muito mais amável e mais fácil de lidar. As atitudes da sogra também mudaram, e ela começou a dizer aos amigos e parentes que a moça era a melhor nora que alguém poderia achar. Elas estavam tratando uma à outra como verdadeiras mãe e filha. 
Um dia, a moça foi ver o Sr. Huang e pediu-lhe ajuda novamente. Ela disse:
- Querido Sr. Huang, por favor, me ajude a evitar que o veneno mate minha sogra! Ela se transformou em uma mulher agradável e eu a amo como minha própria mãe. Não quero que ela morra por causa do veneno que eu lhe dei.
Sr. Huang sorriu e acenou com a cabeça.
- Não há nada com que se preocupar. Eu nunca lhe dei qualquer veneno. As ervas que eu dei a você eram vitaminas para melhorar a saúde dela. O único veneno estava em sua mente e em sua atitude para com ela, mas isso tudo foi jogado fora pelo amor que você deu a ela e pela mudança de perspectiva que isto gerou em ambas.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Wabi Sabi

llWabi Sabi é a expressão que os japoneses inventaram para definir a beleza que mora nas coisas imperfeitas e incompletas. O termo é quase que intraduzível para o português.
De maneira mais concreta, wabi sabi é um jeito de “ver” as coisas através de uma ótica de simplicidade, naturalidade e aceitação da realidade. 
Diz-se que este conceito surgiu por volta do século XV, quando um jovem chamado Sen no Rikyu queria aprender os complicados rituais da Cerimônia do Chá e foi procurar o grande mestre Takeno Joo.
Para testar o rapaz, o mestre mandou que ele varresse o jardim. Rikyu lançou-se ao trabalho feliz. Limpou o jardim e ao terminar, examinou cuidadosamente o que tinha feito: o jardim perfeito, impecável, cada centímetro varrido, cada pedra no lugar, todas as plantas ajeitadas e na mais perfeita ordem.
Contudo, antes de apresentar o resultado ao mestre, Rikyu chacoalhou o tronco de uma cerejeira e fez caírem algumas flores que se espalharam displicentes pelo chão.
Mestre Joo, impressionado, admitiu o jovem no seu mosteiro. Rikyu virou um grande Mestre do Chá e desde então é reverenciado como aquele que entendeu a essência do conceito de wabi sabi:  a arte da imperfeição. É a mesma premissa adotada em relação aos tapetes persas que sempre tem um pequeno defeito, apenas para lembrar a quem olha, de que só Deus é perfeito. 
Esta expressão, wabi sabi, teria muita utilidade se utilizada em nosso dia a dia. Em um contexto de exigência, cobranças e críticas que temos em relação a nós mesmos e aos outros seria um alento se conseguíssemos desenvolver tal maneira de ver as coisas. Esta busca demasiada e sem critérios pela perfeição advém de uma necessidade de adequação a padrões impostos pela sociedade ou por nós mesmos.
O desejo de acertar sempre, a necessidade de estar no controle aumenta a ansiedade e nos impede de evoluir. Há sim beleza e virtude nas coisas imperfeitas, desde que vistas através de uma ótica de simplicidade, naturalidade e aceitação da realidade.
Quantas pessoas passam uma boa parte do tempo sofrendo porque não se sentem adequadas a determinado contexto? Quantos se torturam por não estar enquadrados em certo padrão de beleza? Quantos sofrem preconceitos porque não são exatamente aquilo que é considerado certo ser?
Os reflexos disto podem ser sentidos também nas relações humanas, onde expectativas quase irreais são depositadas nos ombros das pessoas e estas sentem-se obrigadas a cumpri-las e os resultados são quase sempre conflitos, sofrimento, frustração, ansiedade e estresse. 
Os mestres orientais, com a cultura inspirada nos ensinamentos do taoísmo e do zen budismo perceberam que a ação humana sobre o mundo deve ser tão delicada que não impeça a verdadeira natureza das coisas de se revelar. E a natureza é que tudo percorra seu ciclo de nascimento, desenvolvimento e morte, já que todas as coisas são impermanentes, imperfeitas e incompletas. E se não fosse assim, se não fôssemos imperfeitos e tivéssemos a chance de evoluir e melhorar que sentido teria a vida, que é feita de tantas coisas não convencionais?

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Mudar ou inovar?

llDentre os paradigmas mais arraigados da humanidade está o de que o ser humano é resistente a mudanças. Concordo. Em partes. Evolutivamente, quando pensamos em nossos ancestrais e mais recentemente nas gerações passadas, chegamos à conclusão que diversas mudanças foram necessárias para que nos encontrássemos onde estamos hoje.
E uma coisa é inegável. A mudança traz desconforto ao passo que obrigatoriamente nos tira da zona de conforto. Faz com que abandonemos determinada situação para nos inserir em outra. Casos típicos? Mudança de emprego, mudança de casa, mudança de namorado ou namorada, enfim uma infinidade de situações que fazem com que alteremos, às vezes radicalmente, o status quo. Além disso, mudanças normalmente estão atreladas a rupturas, por vezes dolorosas, acontecem quando ‘jogamos fora’ o antigo ou abandonamos algo e principalmente quando temos de partir para algo a que não estamos... acostumados!
Isso mesmo! Talvez o grande dilema da mudança seja tentarmos algo que simplesmente é diferente daquilo que estamos habituados. Perceba, por mais que existam perspectivas promissoras no que é novo, muitas vezes preferimos mantermo-nos atrelados a algo que já conhecemos, por mais que isto já não nos seja mais suficiente. Há outra questão. Não necessariamente uma mudança é uma mudança para melhor.
Então surge a grande pergunta: Se é difícil mudar e não necessariamente a situação atual é satisfatória, como devemos agir? 
A boa notícia é que existe um ponto que talvez seja intermediário entre a mudança completa, que pode nos fazer tomar medidas mais radicais e a por vezes desinteressante opção de ficarmos exatamente como estamos. Este ponto, esta alternativa se chama INOVAR.
Mas existe diferença entre mudar e inovar? Muitas, pode ter certeza. Enquanto mudar significa romper, inovar significa muitas vezes obter uma perspectiva diferente daquilo que já existe. O inovar normalmente está ligado a uma releitura da situação, a potencializar recursos existentes e utilizá-los de modo diferente. Utilizando uma analogia mais simples, mudar seria trocar de casa ou de apartamento, enquanto inovar seria reformar a casa atual dando uma nova cara, uma nova roupagem, uma nova maneira de aproveitar aquilo que já existe. Inovar está ligado à chance de REconstruir um caminho, agregar algo novo àquilo que estamos habituados a fazer. 
Algumas pessoas vivem tentando achar uma rota correta na vida, mudando seus caminhos, mas o problema não está no caminho e sim no viajante, já que muitas vezes as grandes vitórias acontecem não quando mudamos, mas quando conseguimos ver a mesma situação por um prisma diferente. Isto é INOVAR.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Buda de Ouro

llDiz a lenda que existe um simples templo budista que deixa uma magnífica impressão em corações e mentes de quem o visita. Chama-se o "Templo do Buda de Ouro". O templo em si é muito pequeno, provavelmente não mais de que 10 x 10 metros. Mas, ao entrarmos, ficamos atordoados com a presença de um Buda de ouro maciço de 3,5 metros de altura. Ele pesa mais de duas toneladas e está avaliado em aproximadamente 196 milhões de dólares!
Dizem que é uma visão extremamente impressionante - o Buda de ouro maciço, gentil e bondoso, embora imponente, sorrindo para todos. Ao lado da peça há uma vitrine que contém um grande pedaço de barro com cerca de oito polegadas de espessura por doze polegadas de largura, com uma página descrevendo a história desta magnífica peça de arte.
Nos idos de 1957, um grupo de monges precisava transferir um Buda de barro de seu templo para um novo local. O monastério teria que ser transferido para ceder espaço à construção de uma auto-estrada que atravessaria Bangkok na Tailândia. Quando o guindaste começou a sustentar o ídolo gigantesco, seu peso era tamanho que ele começou a rachar. E, como se isso não bastasse, começou a chover. O monge superior, que estava preocupado com os danos que pudessem ocorrer ao Buda sagrado, resolveu devolver a estátua ao chão e cobrí-la com um grande encerado de lona para protegê-la da chuva.
Mais tarde, naquela noite, o monge foi verificar como estava o Buda. Acendeu sua lanterna sob o encerado para ver se o Buda continuava seco. Conforme a luz incidiu sobre a rachadura, o monge notou um pequeno brilho e achou estranho. Ao olhar mais de perto o reflexo da luz, perguntou-se se poderia haver algo sob o barro. Foi buscar um cinzel e um martelo no monastério e começou a retirar o barro. À medida que derrubava fragmentos de barro, o pequeno brilho se tornava maior e mais forte. Muitas horas de trabalho se passaram até que o monge se deparou com o extraordinário Buda de ouro maciço.
Os historiadores acreditam que algumas centenas de anos antes da descoberta do monge, o exército dos birmaneses estava prestes a invadir a Tailândia (chamada então de Sião). Os monges siameses, percebendo que seu país seria logo atacado, cobriram seu precioso Buda de ouro com uma camada externa de barro, a fim de evitar que seu tesouro fosse roubado pelos birmaneses. Infelizmente, parece que os birmaneses massacraram todos os monges siameses, e o bem guardado segredo do Buda de ouro permaneceu intacto até aquele fatídico dia em 1957.
Talvez todos nós sejamos como o Buda de barro, recobertos por uma concha de resistência criada pelo medo, por nossas crenças e comportamentos limitantes e ainda assim, dentro de cada um de nós, há um ‘Buda de ouro’, um ‘Cristo de ouro’ ou uma ‘essência de ouro’, que é o nosso Eu verdadeiro. Em algum lugar ao longo do caminho, começamos a encobrir nossa 'essência de ouro', nosso eu natural. E, assim como o monge, com o martelo e o cinzel, nossa tarefa agora é redescobrir mais uma vez a nossa verdadeira essência.

Dr. Jose´Carlos Carturan Filho é Cirurgião Dentista, Especialista em Medicina Comportamental e MBA em Gestão de Saúde e Mkt

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Ordem e Caos

Por mais que pareça lugar comum é inegável que o ser humano é uma criatura instável. Aliás, os que aparentam ser estáveis demais é que mais me preocupam. Alguns poucos são realmente equilibrados, enquanto os demais são apenas personagens forjados que só mostram quem realmente são atrás das cortinas, nos bastidores, quando a luz se apaga e o público se vai. Mas isto são outros quinhentos.
O ponto importante aqui é a tal instabilidade. Estas oscilações malucas que todos vivemos e que por mais que reclamemos serve para nos deixar alertas é essencial. Tudo bem que em grande parte das vezes as tempestades acabam durando mais tempo do que gostaríamos, mas aí também residem duas questões importantes. Primeira: Nenhuma delas é forte demais para nos derrubar totalmente. Às vezes nos tiram um pouco a posição de conforto em que estávamos, mas geralmente não são capazes de nos tirar do jogo da vida. Segunda coisa: Quem disse que o que queremos que aconteça, da forma que queremos é o melhor para se acontecer? 
Já reparou nisso? Quantas vezes as coisas saem diferente do que imaginávamos e depois de um tempo... Pumba! O que nós sempre almejamos acontece. Isto é representado pela velha máxima popular: ‘Deus escreve certo por linhas tortas’. Será? 
Pessoalmente acho o contrário. Nós é que vivemos querendo que linhas tortas encurtem nosso caminho, sirvam como atalho para que cheguemos aos nossos objetivos e Ele acaba fazendo com que as coisas aconteçam do jeito certo.
A segunda questão importante pode ser resumida por um adágio da sabedoria antiga que diz o seguinte: Ordo Ab Chao, em uma tradução livre e apropriada: ‘A ordem vem do caos’. Normalmente a impressão das pessoas em relação à palavra ‘caos’ é a pior possível, mas caos nada mais significa do que: desordem, confusão. E talvez você esteja pensando: ‘Mas José Carlos, confusão e desordem são coisas boas?’
Depende. Isso mesmo, depende. Depende da situação, da fase, do ponto de vista. Mas é só por meio das desordens que acontecem em nossas vidas é que conseguimos reorganizá-la de modo adequado. Por mais demorado e doloroso que seja. Pode lembrar-se de momentos conturbados que teve em sua vida e perceberá que logo após tais momentos sua vida tomou um rumo diferente, que lhe trouxe possibilidades novas. Pode ter sido a troca de trabalho, um término de relacionamento ou até uma perda importante. Esta desordem é que move o mundo. A natureza está em constante movimento, mas é algo imperceptível para nós.
O fato é que muitas vezes temos a impressão de que conosco as coisas são um pouco diferentes e as turbulências demoram a passar. Muito provavelmente é porque ainda nos encontramos na fase do caos. E ela parece demorada e difícil de ser superada. Como disse anteriormente, as coisas não acontecem exatamente quando e como queremos que aconteçam. Elas seguem um propósito maior e tem seu tempo certo de maturação. E acredite, isso pode ser muito bom.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

11/11/11

llHoje. Ao ler esta coluna você estará vivenciando um dia que se repetirá apenas daqui 100 anos. Muito já se disse sobre esta data. Há até um filme que deve estrear que fala sobre isto. Diversas correntes religiosas e espiritualistas aguardam ansiosamente a chegada desta sexta feira.
Particularmente acho interessante e marcante este dia, já que a empresa que atuo se chama ‘Elleven’ (adaptação da tradução do número 11 em inglês, eleven). Aproveitaremos para fazer uma confraternização entre nossos parceiros, clientes e equipe.
Muito do que tem sido dito sobre a data, bem como sobre o ‘tal’ fim do mundo que aconteceria em 2012, diz respeito a linhas de estudos religiosos, metafísicos e de culturas antigas como a dos maias, origem desta tal profecia que dá como a data final de nosso planeta dezembro do ano que vem.
Aprendi a escutar e respeitar todos estes conceitos, mas confesso que infelizmente há uma abordagem sensacionalista e equivocada de tais assuntos. Lembro-me de algumas ‘teorias apocalípticas’ já anunciadas aos quatro ventos que jamais se concretizaram. Em contra partida também não acho correto quem, por causa de preconceitos, se nega a perceber algumas coisas que estão acontecendo a sua volta.
Creio que não devemos simplesmente ignorar estes acontecimentos. Muito do que tenho lido a respeito do 11/11/11 faz alusão a uma mudança ‘cósmica’ que se intensificará a partir de hoje. Bobagem? Talvez sim. Ou não.
E se realmente isto estiver a ponto de acontecer? Não uma mudança visível, repleta de explosões no céu, vulcões entrando em erupção, terremotos e tsunamis, mas sim uma mudança mais sutil, silenciosa, interior, essencial?
É inegável que estamos vivendo uma fase de transição. Só não percebe quem não está atento. Pode reparar. Isto se manifesta nos comportamentos e na saúde das pessoas, nos relacionamentos, em nossa vida e na natureza.
Há uma forte e poderosa mudança em trânsito, da qual não temos controle absoluto, mas temos sim influência. Será que esta mudança não seria benéfica? Será que nossa humanidade não está necessitando disto? E já que temos influência neste contexto, como poderíamos agir para melhorá-lo? E se ao invés de sermos espectadores destas mudanças ligadas a uma data específica ou a algum fenômeno fôssemos os criadores ou no mínimo participantes ativos desta nova fase que tanto se comenta por aí?
Como fazer isto? Imagine se cada ser humano se propusesse a fazer premeditadamente uma ação bacana por dia ou a trocar um comportamento. Coisas simples, do tipo: dar um bom dia ao funcionário da loja que frequenta ou ceder o lugar do ônibus a alguém? Você já faz isso? Que ótimo! Imagina se todos fizessem, será que a convivência entre as pessoas não seria mais cordial e respeitosa?
Pode ser utopia de minha parte que todos façam isso. Mas certamente se alguns mais o fizessem as coisas já melhorariam. Temos esta opção. Ou podemos esperar outra data simbolicamente significativa para ficarmos esperando que uma mudança ‘caia do céu’ e transforme as pessoas. Você se comprometeria a fazer uma ação por dia para gerar esta melhoria? E se fizesse 11?

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Distimia

A situação se repete dia após dia e pode acontecer em seu trabalho ou na relação com alguém da família. A pessoa chega com a cara amarrada, de poucos amigos e manifesta o quanto está contrariada por alguma coisa. São conhecidos no ambiente como os mal humorados, ranzinzas, rabugentos.
Talvez você mesmo tenha alguns dias com o humor bem instável. A rotina estressante a que grande parte de nós está submetido podem gerar desconforto e abalar o humor, mas o fato é que há pessoas que constantemente apresentam este comportamento. Para estas pessoas o mau humor recorrente pode significar mais do que um comportamento passageiro.
Há um distúrbio conhecido como distimia, um mau humor crônico que influencia não só a vida do paciente como também das pessoas que convivem com ele. A grande dificuldade está em diferenciar episódios ocasionais de mau humor com a doença propriamente dita. 
Uma característica comum do paciente com distimia é a irritação e preocupação excessiva até quando a situação é positiva. Em alguns casos mais graves, o paciente encontra problemas até mesmo em situações benéficas como ganhar um prêmio na loteria. Fica irritado porque, por exemplo, daqui por diante acredita que sua família não estará mais em segurança. Em suma, quando as alterações de humor passam a ser comuns e a pessoa fica irritada quando está calor e repete o mesmo padrão comportamental quando está frio, talvez algo esteja errado.
Algo também relevante é que o distímico (como é chamado o paciente que tem distimia) além do já comentado mau humor apresenta também tristeza, pessimismo, sensação de constante insatisfação, falta de motivação e auto estima.
Geralmente a distimia começa a aparecer na adolescência ou no adulto jovem e pode perdurar por toda a vida se não for tratada corretamente. Os sintomas que mais chamam a atenção, no seu início, são a irritação com qualquer coisa, o costume de ver problemas em tudo e o isolamento social. Estatísticas da Organização Mundial de Saúde apontam que até 180 milhões de pessoas no mundo são portadoras da doença e as mulheres são afetadas duas vezes mais do que os homens. Neste caso a questão hormonal faz diferença sim. 
Caso a doença não seja corretamente tratada, e um tratamento pode levar até dois anos, o paciente tem 70% de chance de desenvolver a depressão. As principais diferenças entre a distimia e a depressão são a relação social do paciente e alguns sintomas físicos que aparecem normalmente na depressão, mas não ocorrem na distimia, como alteração de apetite, sono e energia. 
Outra diferença importante é que na maioria dos casos a pessoa depressiva busca se isolar de qualquer atividade, enquanto o distímico continua realizando suas funções normais, mas sem sentir prazer e satisfação ao realizá-las.  A grande dificuldade é perceber que há algo errado e que os episódios de mau humor não são apenas características do indivíduo. Apenas um diagnóstico clínico criterioso realizado por um psiquiatra ou psicólogo pode apontar a ocorrência da doença e seu método correto de tratamento.